Matéria publicada em: 06/09/2012 às 19:43

“Independência ou Permanência”?

Oficialmente, a “independência” do Brasil, ocorreu no dia 7 de Setembro de 1822. Foi a partir desta data, que o Brasil deixou de ser colônia de Portugal e adquiriu sua autonomia política. Não podemos negar a importância desse acontecimento, para a história brasileira, entretanto, poucos foram às mudanças nas estruturas socioeconômicas e políticas do Brasil.

No tocante ao social, a nossa independência, foi um resultado de acordos entre D. Pedro e as elites. A grande maioria da população que era, constituída de pessoas pobres, não tiveram participação no processo de emancipação do Brasil. Cidadania é um processo lento dentro da esfera pública, principalmente no nosso país, marcado pelas grandes desigualdades sociais, a exemplo da escravidão.

A economia brasileira ficou submissa aos interesses da Inglaterra, pois esta foi a maior beneficiadora com a independência do Brasil. Não houve incentivo, para o desenvolvimento de uma industrialização voltada para produtos manufaturados, pois o Brasil ficou repleto de produtos ingleses. Sua economia continuou voltada para atender o mercado externo, usufruindo da mão-de-obra escrava e concentrada no latifúndio.

No aspecto político, o Brasil, foi o único país latino-americano a adotar o regime da Monarquia. Todos os poderes, legislativo, judiciário e moderador estavam sobe o domínio de D. Pedro. Isso reflete o quanto as mudanças, foram poucas com a independência do nosso país. No qual o que podemos observar, é muito mais permanências do que reais mudanças, onde uma minoria da população permanece com elevados poderes aquisitivos, enquanto uma grande maioria da sociedade vivem em péssimas condições de vida.

Mas o Piauí, qual foi sua importância na emancipação do Brasil? O Piauí teve um papel de suma relevância para a história brasileira, porém, pouco conhecido pela historiografia tradicional. A Batalha do Jenipapo, deferida em Campo Maior, é o maior símbolo de resistência dos “cidadãos comuns” contra o domínio dos portugueses. Quantas pessoas perderam suas vidas em nome da pátria, pois não aguentavam mais tamanha submissão e almejavam por melhores condições de vida.

Fico, contudo, refletindo as solenidades que são realizadas, atualmente, no dia 7 de Setembro em Campo Maior, para comemorar o dia da independência do Brasil. Nestas solenidades, quem são coroados são os militares. Como se eles tivessem participado das lutas pela emancipação. Estas atitudes, praticadas pelos nossos representantes políticos, em coroar os militares em Campo Maior, simboliza uma grande controvérsia da nossa História. Pois no Piauí, diferentemente de muitas regiões, quem de fato lotou pela nossa independência, foram às camadas populares da sociedade e não os militares liderados pelo sargento Fidié.

Este povo guerreiro ainda hoje vive lutando por uma verdadeira independência, algo que ainda não se consolidou no Brasil. Atualmente, não precisamos pegar em armas para reivindicar nossos direitos, preferimos o diálogo, embora em algumas vezes, os nossos representantes políticos utilizam os militares para massacrar os movimentos sociais.

A fazenda Boa Esperança (hoje, José de Freitas), também esteve inserida dentro do contexto da independência do Brasil. Na época da emancipação do Brasil, houve uma grande concentração de forças na fazenda Boa Esperança. Terminada a Batalha do Jenipapo em Campo Maior, o militar português João José da Cunha Fidié, que se deslocava com sua tropa para Estanhado (hoje União), arranchou-se na fazenda Boa Esperança. Permaneceu alguns dias nesta fazenda, onde colocou vigias no alto do morro para observar supostas vindas de inimigos.

É importante ressaltar, que em tempo muito remoto da nossa história, a bravura do nosso povo já era constatada antes mesmo da independência do Brasil. Na região onde foi instalada a fazenda Boa Esperança (atual José de Freitas), existia uma grande quantidade de índios, sendo que os conflitos entre portugueses e ameríndios foram constantes. Nessa Guerra, os índios foram brutalmente massacrados pelos colonizadores portugueses, não podemos esquecer, de mencionar as mortes praticadas pelos índios, entretanto, eles apenas estavam defendendo suas terras.

Portanto, acreditamos, que um dia, poderemos usufruir de uma verdadeira independência, onde o verdadeiro conceito de cidadania seja reconhecido pelos nossos representantes políticos. Neste sentido, almejamos uma sociedade com menos desigualdades sociais, e que nunca vamos parar de lutar pelos nossos direitos, independentemente dos obstáculos que iremos encontrar.

Por Elias Sergio da Cunha Graduando em História pela Universidade Estadual do Piauí

 

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4 comentários adicionados em ““Independência ou Permanência”?”

  1. Areolino F da Cunha Disse:

    Caro Elias, parabéns pelo artigo. Faz gosto fazer a leitura, e que leitura!

  2. Jabuti Capoeira Disse:

    Parabéns pelo artigo, um texto muito bem escrito e que reflete bem o contexto social ao qual estamos inseridos.

  3. Iziel Disse:

    Grande Sérgio, conheço você e sei o que já viveu, pois sabes que o conceito de cidadania que se busca hoje vamos adquirir quando em nosso país a Educação tiver o seu devido valor em todas as esferas. É somente através desta que nos tornaremos grandes em todos os aspectos, inclusive sobre a escolha de nossos representantes. Parabéns pelo texto.

  4. Jeferson Costa Disse:

    Parabéns Elias, lhe o seu artigo e pode refletir um pouco sobre a nossa busca por independência,que infelizmente não é totalmente real!! abraço amigo

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